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O Brasil vai suportar o avanço da Internet das Coisas?



Gustavo Schainberg S. Babo


O mercado da Internet das Coisas (IoT) está em expansão. O barateamento da tecnologia está possibilitando cada vez mais esse crescimento e permitindo destravar as inúmeras aplicações possíveis como dispositivos domésticos, cidades inteligentes, carros autônomos e outros, em uma estrutura de sistema semelhante a ilustração abaixo.



Estima-se que aproximadamente 21 bilhões de dispositivos estarão conectados em 2020 e vários tópicos colocam em cheque se o Brasil realmente está preparado para tamanho avanço da IoT. O brasileiro ainda é pouco instruído em relação à segurança digital, privacidade, proteção de dados e outras questões. A realidade hiperconectada que inclui também esses diversos dispositivos avança com uma velocidade que os cidadãos e o próprio direito não conseguem acompanhar.


Além disso, existe uma outra problemática que pode estar passando despercebida em relação à capacidade do país aguentar tantas conexões. Para um mercado com tantos dispositivos online se sustentar, precisa haver uma estrutura de conexão à Internet enorme: largura de banda, latência, densidade de conexão, custo operacional, qualidade de serviço, frequência de conexão e etc.


Entretanto, a atual estrutura da Internet está longe de suportar todas essas conexões. Para isso, acredita-se que o 5G será a tecnologia que vai permitir toda essa expansão. Contudo, a grande observação é: O mercado da Internet das Coisas vai ser expandido e abraçado pelos brasileiros muito antes que a chegada do 5G no Brasil.


As estimativas variam, mas em média os especialistas e representantes das empresas de telecomunicação acreditam que o 5G chegará ao Brasil em 2023. O custo da implementação da tecnologia ainda é uma barreira e sabemos que esse prazo pode se estender ainda mais. Todavia, o mercado da Internet das Coisas já é uma realidade e é previsto que vai movimentar 40 bilhões de dólares até 2020 só no Brasil, conectando cada vez mais uma quantidade massiva de dispositivos à Internet.


Essa discussão torna-se relevante, pois enquanto não temos expectativa do 5G, ao menos no Brasil, o aumento significativo da densidade de conexões com a Internet das Coisas pode sobrecarregar toda a nossa estrutura, o que gerará grandes prejuízos. A estrutura da Internet e os protocolos da rede não foram projetados para conectar trilhões de dispositivos e contamos agora com a capacidade de adaptação da tecnologia, que já se provou forte com a migração dos protocolos IPv4 para IPv6.


Contudo, mesmo que inevitavelmente esse problema seja solucionado em algum momento, a diferença de tempo entre a expansão da IoT e a chegada do 5G (ou a adoção de outras alternativas) pode ser perigosa para o Brasil. Existe um gap entre o avanço dessas tecnologias e ainda é preciso discutir se esse é um problema real e urgente ou não.

Qual a sua opinião?




Fontes:









MAGRANI, Eduardo A internet das coisas, Rio de Janeiro, FGV Editora, 2018.

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