Google admite que permite centenas de empresas acessarem seu Gmail



A privacidade tem sido uma questão espinhosa em relação às novas tecnologias. Em artigo publicado no jornal Britânico, os jornalistas Laurence Dodds e Margi Murphy apresentam um retrato de alguns problemas trazidos pela leitura de e-mails de usuários do Google. A seguir o texto traduzido.

O Google vem permitindo que centenas de empresas acessem o Gmail de usuários, que leiam e-mails, e até mesmo permite que as empresas compartilhem dados com outras empresas, conforme a própria Google confirmou.

Em uma carta aos senadores norte-americanos, Susan Molinari, a vice-presidente da Google para políticas públicas nas Américas, admitiu que a Google permite o acesso de desenvolvedores à caixa de mensagens de milhões de usuários – apesar da própria Google ter deixado de acessar ela mesma em 2017. Em alguns casos, empregados têm de, manualmente, ler centenas de e-mails para treinar uma Inteligência Artificial que realizará esta mesma função. Esta revelação tem ecos perturbadores do escândalo Cambridge Analytica do ano passado, em que consultores políticos colheram dados de 87 milhões de usuários do Facebook por meio de um aplicativo de “quiz” (perguntas e respostas).

A carta, inicialmente trazido ao público pelo Wall Street Journal e vista pelo Telegraph, também informa que os desenvolvedores de aplicativos podem e, de fato, compartilham dados com outras empresas – desde que a Google acredite que suas políticas de privacidade sejam claras o suficiente. “Desenvolvedores podem compartilhar dados com terceiros, desde que sejam transparentes com usuários a respeito de como os dados estejam sendo usados”, disse a Sra. Molinari. Desenvolvedores podem acessar os dados do Gmail, incluindo nomes, títulos dos e-mails, mensagens em texto e assinaturas de e-mail, para oferecer serviços como comparação de preços, planejamento de viagens e pesquisas de mercado. A maior parte do escaneamento é feita por computadores, mas parte do trabalho é realizado por humanos, que se certificam que uma Inteligência Artificial esteja fazendo seu trabalho satisfatoriamente. Em um incidente reportado anteriormente, funcionários de uma empresa chamada Return Path leram 8000 e-mails para treinar a Inteligência Artificial da empresa, que coleta dados para comerciantes.

A Return Path acessou os e-mails por meio de uma parceria com outra empresa, Earny, que analisa os e-mails para checar se os usuários pagaram mais por um serviço ou produto que poderia ter sido mais barato em outra fonte. Ambas as empresas atestaram que esta política de privacidade é clara nos termos da Earny, em que se lê que a Return Path tem “acesso à sua informação”.

Na carta, a Sra. Molinari disse que a Google revê manualmente as políticas de privacidade de cada desenvolvedor que requer acesso a “dados sensíveis” para se certificar de que “documenta plenamente” sua atividade e avisa ao usuário a respeito de qualquer aplicativo que falha em cumprir com esta exigência.Aplicativos que não são transparentes podem ser suspensos, e os desenvolvedores devem mostrar que estão protegendo os dados de usuários de ameaças hacker. Contudo, Mar Rotenberg, presidente da Eletronic Privacy Information Centre em Washington, DC, disse que Jornal que políticas de privacidade não são o suficiente e que “simplesmente, não é possível que os usuários do Gmail poderiam saber que seus dados são transferidos para terceiros”.

A política de privacidade da Earny, acessada em 20 de setembro, atesta que irá acessar e analisar “o conteúdo dos seus e-mails” e compartilhar os resultados com a Return Path. A Return Path, em contrapartida, atesta que usará seus dados para “entender como você lida com e-mails” e otimizar campanhas de marketing.

Anteriormente, a própria Google “minerava” os e-mails de seus usuários para controlar campanhas de marketing, mas cessou esta atividade em 2017 depois de class action recebido, em que fora acusada de “grampo ilegal”.

A Google continua a escanear e-mails para permitir que os usuários utilizem a funcionalidade de “busca” em sua caixa de mensagens, para detectar spam e e-mails mal-intencionados, e também para gerar sugestões de respostas automáticas, que sugerem respostas simples a e-mails. A Google também usa dados de outras fontes para personalizar anúncios. “Nenhum humano na Google lê e-mails de usuários”, disse a Sra. Molinari, “exceto em casos muito específicos, quando eles nos pedem e dão consentimento, ou quando precisamos realizar análises de segurança, como em questões de bugs e abusos”.

A carta da Google foi enviada em julho, depois que os membros do Congresso realizaram perguntas escritas a respeito da prática. Executivos da Google prestarão depoimento semana que vem perante o Comitê de Comércio do Senado norte-americano.

A Google recusou-se a comentar além da carta da Sra. Molinari. A matéria original pode ser conferida no link a seguir.

https://www.telegraph.co.uk/technology/2018/09/20/google-admits-hundreds-companies-read-gmail-inbox/

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